Domingo, 17 de junho de 2007, 15h18 EUA: tratar a pele nunca foi tão fácil e tão perigoso |
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"Meu pai trabalhava com petróleo e criava gado, e passei a vida inteira ao sol", diz Runnels, que vive no Texas e trabalha em casa, ajudando o marido em seus negócios imobiliários. "Agora que vejo as rugas surgindo, tento agir para preveni-las".
Por isso, quando leu uma mensagem muito elogiosa sobre um estranho objeto semelhante a um martelo, chamado Baby Quasar, em uma lista de discussão sobre cuidados com a pele, no ano passado, ela imaginou que a tentativa valeria a pena.
Ela encomendou a engenhoca emissora de luz, apelidada carinhosamente de Baby Q por suas adeptas. O aparelho custou US$ 399, mas ela ficou impressionada com a embalagem resistente e estava ansiosa para ver os resultados. "Eu comecei a usá-lo imediatamente", disse.
Já na manhã seguinte, conta, "minha pele parecia mais robusta". Ela ficou tão satisfeita que meses mais tarde adquiriu um Quasar de maior porte, uma máquina profissional, cujo preço é de US$ 1,8 mil.
Ainda que a luta contra as rugas tenha há muito passado a ser travada no terreno da alta tecnologia (e a peso de ouro), apenas recentemente tecnologias como pulsos de calor, diodos emissores de luz (LEDs) e correntes elétricas se tornaram seguras e simples o bastante para que as consumidoras possam aplicá-las em casa.
Anos depois de as mulheres começarem a recriar tratamentos profissionais na forma de dias em spaa domésticos, um número crescente de aparelhos está migrando das clínicas de estética para o banheiro, onde eles agora têm de dividir o espaço com soluções tópicas, medicamentos e outros remédios receitados para combater o envelhecimento.
Ainda que seja difícil dizer exatamente quantos produtos desse gênero existem, as novidades não param de surgir. O HairMax LaserComb oferece "cabelo mais cheio, mais espesso, de aparência mais saudável"; o DermaVie possibilita dermoabrasão microscópica em casa; o Crystalift é um aspirador que propicia uma "nova superfície à pele".
O fato de essas máquinas muitas vezes custarem centenas ou milhares de dólares não serve de desestímulo a pessoas para quem a juventude não tem preço - ou, ao menos, está ao alcance, em termos financeiros.
"Se você fizer as contas, uma sessão em um spa ou clínica provavelmente sairia por US$ 100, enquanto, se você aplicar o tratamento em casa por cinco minutos diários, pode obter os mesmos resultados", disse Donna Regii, gerente de uma unidade da cadeia de spas Bliss. A empresa vende o NuFace, que emite microcorrentes elétricas e que está entre os produtos mais procurados da casa, ainda que custe US$ 450.
Mas, à medida que mais e mais aparelhos ocupam as tomadas, número crescente de dermatologistas começa a questionar sua eficiência, e até mesmo sua segurança.
"Uma das maiores questões com relação a esses aparelhos domésticos é que eles prometem mais do que podem cumprir", disse Arielle Kauvar, dermatologista e professora associada da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, especialista em tratamentos com laser.
As alegações que os produtos fazem - como a de que a pele ficará mais firme ou as linhas e rugas serão minimizadas - são em larga medida cosméticas, de modo que os fabricantes não precisam de aprovação pela Food and Drug Administration (FDA, a agência federal americana que licencia e regulamenta remédios e alimentos). Os produtos podem ser vendidos com uma licença simples, que é muito mais fácil de obter, segundo Kauvar.
Um fabricante que alega que a eficiência de seus produtos é cientificamente comprovada provavelmente está empregando o termo de maneira elástica. Por exemplo, os fabricantes da RejuvaWand, uma ferramenta de massagem que usa LEDs, dizem que ela "reverte os sinais de envelhecimento". O aparelho chegou ao mercado em fevereiro, e o material promocional menciona testes clínicos.
Mas o teste envolvia apenas 36 mulheres, sem grupo de controle, e constatou que 31 delas informaram que sua pele havia melhorado, segundo Marc Maisel, um dos fundadores da empresa. E as participantes usaram um gel que continha um ácido capaz de reforçar a pele, segundo a dermatologista Kauvar.
O NuFace, igualmente, baseia parte de sua publicidade em apelos científicos. Inspirado em um procedimento empregado para tratar certa forma de paralisia de rosto, o aparelho portátil emite microcorrentes elétricas que estimulam os músculos, o que, segundo os fabricantes, torna a pele mais firme. Mas usá-lo causa dor.
E o mesmo vale para o ThermaClear, que aplica pulsos de calor no combate à acne. Aplicado à pele, ele causa uma espécie de choque muito quente, o bastante para fazer com que a pessoa se contraia. O NuFace arde.
A RejuvaWand não é dolorida, se ignorarmos a luz que ela emite e nos deixa vesgos. Mesmo assim, o aparelho vem com um alerta de que não devemos olhar em direção do feixe de luz mesmo que ele esteja desligado.
Quando os usuários começam a aplicar o aparelho em suas casas, se torna difícil dizer o que estão fazendo. O NuFace é recomendado para uma aplicação diária apenas, e não pode ser usado por grávidas, pessoas que usem marca-passo ou que estejam sujeitas a surtos.
Mesmo assim, o fabricante recebe muitas consultas sobre a possibilidade de uso mais freqüente. "As pessoas imaginam que, se uma vez é bom, duas é ainda melhor, e três deve ser excelente", diz Tera Valdez, vice-presidente de vendas e marketing da Skin Star, fabricante do NuFace.
"É realmente importante não estimular demais os músculos". (O uso prolongado pode causar atrofia muscular, ela diz, ainda que a chance de que isso aconteça seja "minúscula".)
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME