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O sucesso da cirurgia do estômago depende do comprometimento dos pacientes
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A cirurgia de redução do estômago virou sinônimo de salvação para a maioria dos obesos que não conseguiam perder peso de forma convencional e sofriam risco de vida. Mesmo trazendo benefícios para a saúde, o que se constata hoje é que o sucesso desse tratamento depende quase que exclusivamente do comprometimento dos pacientes.

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Um estudo recente do Ministério da Saúde mostrou que quase 39% das brasileiras estão com excesso de peso. Além do comprometimento da auto-estima, as pessoas obesas têm mais chances de desenvolver hipertensão, diabetes, artrite e apnéia do sono. "A probabilidade de mortalidade é oito vezes maior do que uma pessoa no peso normal", diz o cirurgião do aparelho digestivo Daniel Chalela Júnior (SP).

No entanto, em muitos casos, mesmo depois da pessoa ter adotado uma dieta hipocalórica e a prática de atividades físicas, a pessoa não consegue perder peso suficiente para sair da faixa de risco. E a cirurgia de redução do estômago (ou cirurgia bariátrica) passa a ser uma alternativa viável e almejável.

Mas, por ser uma técnica invasiva, todo cuidado é pouco. Devido a isso, sua indicação é restrita a pacientes com obesidade mórbida, ou seja, que apresentam Índice de Massa Corporal superior a 40, por um período de no mínimo dois anos, ou àqueles que tenham um IMC entre 35 e 40 com doenças associadas. A única contra-indicação é para pessoas alcoólatras, cirróticos, dependentes químicos e portadores de distúrbios psiquiátricos. Em média, um paciente perde de 20 a 50% do peso inicial - variando conforme o tipo de técnica empregada - em um prazo de dois anos.

De olhos bem abertos
Apesar de a operação parecer a solução perfeita para todos os problemas da obesidade, ela não faz milagres e o resultado depende quase que unicamente da dedicação do paciente. De acordo com o professor de Cirurgia do Aparelho Digestivo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Bruno Zilberstein, que coordena um estudo sobre esse assunto no Hospital das Clínicas, cerca de 20% dos ex-obesos voltam a engordar por não seguirem as orientações do profissional. "A cirurgia bariátrica é apenas um momento dentro de uma situação de mudança de vida, de valores e de conceitos. Por isso que o trabalho de emagrecer deve ser multidisciplinar com psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e endocrinologistas", orienta o médico.

Além de a possibilidade de retornar ao antigo peso, a pesquisa do Hospital das Clínicas ainda revelou que a pessoa, após a cirurgia, pode desenvolver outro tipo de compulsão como alcoolismo, anorexia e bulimia. Para o gastrocirurgião Jorge Honda (PR), a substituição de um transtorno pelo outro acontece justamente quando não há um acompanhamento psicológico no pós-operatório.

O processo de adaptação também não é nada simples. Até o primeiro mês, o paciente faz uma dieta líquida. Depois desse período, a pessoa começa a ingerir uma alimentação pastosa e gradativamente passa para qualquer tipo de alimento, desde que ele seja bem mastigado.

Dependendo do tipo de operação, pode ocorrer certo grau de "disabsorção" de nutrientes. Com isso, muitas vezes se faz necessário complementar a dieta com a ingestão de suplementos vitamínicos, sempre sob a orientação nutricional.

A escolha pela melhor técnica cirúrgica vai depender de cada caso. Em resumo, há - além do balão intragástrico, três tipos de técnicas:

- Restritivas (Banda Gástrica Ajustável)
- Mistas Restritivas (Capella, Fobi, By Pass Gástrico)
- Mistas Disabsortivas (Scopinaro, Duodenal Switch)

Restritivas
Nesse procedimento, a ingestão de alimentos é limitada com a colocação de uma cinta inflável de silicone medicinal posicionada na parte superior e externa do estômago, que passa a funcionar como uma ampulheta.

O alimento ingerido chega primeiro a bolsa (criada pelo inchaço da banda), gerando uma sensação de saciedade precoce. Depois, a comida desce lentamente para o estômago, onde a digestão se processará normalmente. Dessa maneira, o paciente, com uma pequena quantidade de alimento, já estará satisfeito. A banda pode ser ajustada (apertada) por um pequeno dispositivo valvular que é colocado no tecido subcutâneo.

- Tempo do procedimento: de uma a duas horas.
- Estimativa de perda de peso: 20% do peso inicial.
- Vantagens: é uma técnica mini-invasiva, com pequeno corte, e que dispensa anestesia. Além disso, ela mantém o trânsito alimentar em seu curso normal, não compromete a absorção de nutrientes e a reversibilidade é mais fácil.
- Desvantagens: a perspectiva de perda de peso é menor do que nas outras técnicas e a cooperação da paciente na mudança de hábitos é essencial para o bom resultado da cirurgia.
- Restrições pós-cirúrgicas: deve-se evitar comer doces, alimentos gordurosos e tomar bebidas alcoólicas para que o processo de emagrecimento seja mais efetivo.

Mistas Restritivas
Constrói-se um novo estômago através da colocação de um anel de contenção ou grampeando parte dele. Assim, esse pequeno receptáculo criado é ligado a uma alça intestinal. Com esse desvio, o alimento passa diretamente para o intestino, não atravessando mais o restante do estômago e duodeno.

- Tempo do procedimento: duas a quatro horas.
- Estimativa de perda de peso: 35 a 45% do peso inicial.
- Vantagens: baixíssimo risco de insucesso e pequena taxa de "re-operação". Ao contrário das disabsortivas, os pacientes necessitam de menos suplementação vitamínica e mineral e raramente apresentam diarréia ou desnutrição grave. Maior facilidade de adaptação.
- Desvantagens: comprometimento da absorção de cálcio, ferro e vitaminas. Difícil reversibilidade e moderada incidência de vômitos na fase de adaptação.
- Restrições pós-cirúrgicas: intolerância a alimentos doces e gordurosos, em razão da possibilidade de vômitos e regurgitação.

Mistas Disabsortivas
Baseiam-se na retirada parcial de 70 a 80% do estômago, associada ao desvio do alimento para o intestino. Esse encurtamento faz com que o alimento percorra a maior parte do intestino sem entrar em contato com as enzimas digestivas e, portanto, sem absorver boa parte dos açúcares e gorduras ingeridos. Esse procedimento é muito indicado para pacientes muito obesos, devido a maior disabsorção induzida por esta técnica.

- Tempo do procedimento: três a quatro horas.
- Estimativa de perda de peso: 35 a 50% do peso inicial.
- Vantagens: maior perda de peso e manutenção a longo prazo. Além disso, após quatro a seis meses, os pacientes ingerem a mesma quantidade de alimento que antes da cirurgia.
- Desvantagens: a absorção de nutrientes fica comprometida e o ritmo intestinal aumenta, ocasionando diarréias constantes. As fezes e os gases podem apresentar um odor fétido e há risco de desnutrição.
- Restrições pós-cirúrgicas: não há restrição dietética.

Balão Intragástrico
O balão é uma prótese de silicone de formato esférico e superfície lisa introduzido no estômago e preenchido com 500 a 800ml de líquido. Uma vez insuflado, o balão estimula receptores do fundo gástrico que mandam para o cérebro a mensagem de saciedade. O balão permanece de quatro a seis meses e depois é retirado. É indicado, principalmente, para pacientes muito obesos que precisem perder peso antes de submeter-se a uma cirurgia definitva.

- Tempo do procedimento: uma a duas horas.
- Estimativa de perda de peso: média de 10 a 15 quilos.
- Vantagens: os riscos de complicações são mínimos.
- Desvantagens: não há.
- Restrições pós-cirúrgicas: não há.
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