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Domingo, 5 de agosto de 2007, 11h11 

Livro irreverente sobre dietas é sucesso de vendas

Motoko Rich
The New York Times

Antes de escreverem o livro, as autoras Freedman e Barnouin trabalharam no mundo da moda
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Desde que a Running Press, subsidiária da Perseus Books, lançou Skinny Bitch (vagaba magrela, na tradução literal), um livro de dieta irreverente e repleto de palavrões, em dezembro de 2005, as vendas vêm sendo firmes. A tiragem inicial de 10 mil cópias se esgotou rapidamente, e agora já há mais de 245 mil exemplares em circulação.

» Capa do livro

Mas foi só quando Victoria Beckham, a mulher do astro do futebol David Beckham, também conhecida como Posh Spice, foi fotografada carregando um exemplar do livro em uma loja de Los Angeles, em maio, que ele começou a galgar as listas de best sellers no Reino Unido. Quando o canal norte-americano E! de TV a cabo começou a veicular a história, em junho, o livro também disparou nos Estados Unidos. No domingo, ele apareceu em 12° lugar na lista de best sellers do "The New York Times", na categoria auto-ajuda, e no próximo domingo deve ocupar o terceiro posto.

Desafiando as percepções convencionais do mundo editorial, de que um livro precisa entrar para as listas de mais vendidos em suas primeiras semanas ou corre o risco de cair no esquecimento, Skinny Bitch, lançado 18 meses atrás, conseguiu sucesso mesmo que não esteja à venda em grandes cadeias de varejo como a Wal-Mart, que muitas vezes respondem por proporção considerável dos exemplares vendidos de um título.

Com uma capa ousada, mostrando uma mulher jovem e esbelta vestindo roupas justas e usando brincos de argola, tendo nas mãos um par de óculos de sol de lentes muito grandes, o livro, de Rory Freedman e Kim Barnouin, promete servir como "um guia sensato e impiedoso para as garotas espertas". A atitude arrogante ajudou a atrair compradoras interessadas em dietas diferentes das propostas pelos livros comuns desse gênero.

"É com certeza o livro de dieta mais divertido que já li", disse Linda Marotta, diretora do departamento de compras da Shakespeare & Co., que opera quatro livrarias em Nova York. Ela afirma que o título tem vendido "extremamente bem" em suas lojas.

O tom debochado e os antecedentes das autoras nas passarelas ¿ Barnouin foi modelo e Freedman foi agente de modelos - não indicam o tom dominante no livro, o qual propõe uma dieta vegan radical, acompanhada de uma defesa dos direitos dos animais que talvez seja mais familiar à brigada Birkenstock do que aos compradores médios de livros de dieta.

"O livro tem aquele tom ácido, de literatura feminina moderna", disse Dana Brigham, co-proprietária da Brookline Booksmith, em Brookline, Massachusetts, que vendeu mais de 200 cópias do título. "Basta olhar a foto das autoras na contracapa. As duas são lindas. Já as fotos dos autores que recomendam comer granola não são".

Alguns leitores se incomodam com a incongruência entre mensagem e meio. Laura McGinchley, 41 anos, administradora de uma rede de computadores, disse ter comprado o livro na Amazon.com porque gostou da capa e do "tom irreverente".

Por isso, ficou surpresa ao encontrar capítulos sobre as práticas nas granjas e nas fazendas de pecuária. "O livro parece estar defendendo uma agenda semelhante à da PETA", ela disse, em referência à conhecida organização de defesa dos direitos dos animais. McGlinchey disse que o texto era tão chato que nem terminou de ler o livro.

Barnouin, que cuidou da maior parte das pesquisas enquanto Freedman se concentrava em redigir, reconhece que o livro transmite sua mensagem com uma colherada de pimenta, e não na forma de um estudo sério sobre questões dietéticas. Um dos preceitos que as autoras propõe é o de que "refrigerantes são Satanás em forma líquida".

"Sim, o material do livro não é fácil de vender, por muitos motivos", disse Barnouin, que abandonou sua carreira como modelo oito anos atrás para estudar nutrição holística. "Não se trata de um livro comum de dieta, e traz muita informação sobre os direitos dos animais. Nossa idéia era que fosse leve, divertido, tivesse um nome atraente e uma capa bonita. Sabíamos que o marketing seria essencial".

A editora não se desculpa pela forma do livro. "Skinny Bitch tem uma mensagem franca e direta que pode incomodar a algumas pessoas", disse David Steinberger, o presidente-executivo do Perseus Book Group. "O livro trata de maneira cristalina os alimentos que deveriam ser evitados como álcool, cafeína, aditivos químicos do tipo do aspartame, laticínios, carne vermelha e açúcar refinado", diz. "Grande número de leitores acatou a mensagem do livro, mas, como no caso de qualquer método de dieta, é evidentemente impossível agradar a todos".

As autoras, que fizeram amizade uma década atrás quando Barnouin era modelo da agência em que Freedman trabalhava, decidiram escrever o livro devido à paixão compartilhada pela alimentação saudável e pelos direitos dos animais. O título foi uma de suas primeiras idéias. O tom e o uso freqüente de palavrões, diz Freedman, são autenticamente seus. "Venho de Nova Jersey e, ainda que odeie admitir, é assim que eu falo", diz.

Não se sabe se Victoria Beckham de fato leu Skinny Bitch; o agente dela e seu representante de imprensa não responderam a mensagens sobre o assunto. Em uma entrevista à revista espanhola Chic, em 2005, ela admitiu jamais ter lido um livro em sua vida.

De sua parte, Freedman e Barnouin assinaram contrato com adiantamento de centenas de milhares de dólares para dois novos livros a serem lançados pela Running Press. O primeiro é Skinny Bitch in the Kitch, um livro de receitas que sai em dezembro. O segundo, ainda sem título, será um guia de alimentação para grávidas. A dieta vegan também será defendida nele? "As leitoras terão de esperar para descobrir", disse Freedman.
The New York Times