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Sábado, 1 de dezembro de 2007, 13h06 

Alô, é do spa? Vocês fazem entregas?

Alix Strauss
The New York Times

Spas nos Estados Unidos estão atendendo seus clientes em casa
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"Tentar reservar horário no Face Place ou no Cornelia é como negociar com a recepcionista do Waverly Inn", disse Celia Chen, editora da Notesonaparty.com, uma revista online sobre entretenimento. "Agora você precisa mencionar seus amigos influentes ou dizer quem são seus clientes, antes de conseguir reserva. Os spas deveriam ser relaxantes".

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Mas esse nem sempre é o caso. Não quando funcionários arrogantes impõem normas de comportamento aos clientes, e reservas têm de ser confirmadas com um dia de antecedência sob pena de cancelamento. Nem mesmo nas salas de espera iluminadas por velas nas quais as pessoas desconhecidas, vestidas em roupões, evitam se olhar nos olhos.

Para relaxar seus músculos fatigados de uma maneira que a agrade mais, Chen, 34, fez uma reserva online com a Refresh Body, uma companhia que oferece serviços móveis de spa em Nova York.

O profissional que ela escolheu depois de estudar os currículos dos 12 funcionários foi à casa dela, em Greenwich Village, levando lençóis de alta contagem de fibras, toalhas de linho egípcio, uma mesa de massagem e outros aparelhos. Para ajudar a recriar a experiência de um spa, ele aqueceu as toalhas que seriam usadas nas costas e rosto de Chen em um microondas.

A parte predileta do processo, para Chen, foi a privacidade que um tratamento em casa oferece. "Gosto de relaxar com uma taça de vinho e ignorar tudo mais", ela afirmou. Massagistas autônomos vêm carregando suas mesas de massagem às casas de clientes há anos. E esteticistas que oferecem serviços básicos em domicílio existem pelo menos desde 2003.

Mas agora uma legião de tratamentos especializados, com o uso de folhas de bananeira tailandesas, por exemplo, estão disponíveis em domicílio. Os freqüentadores regulares de spas que se decepcionam quando encontram arrogância em lugar de serenidade, em um desses estabelecimentos, decidiram que é melhor um retiro para suas próprias salas.

"Os spas agora se tornaram fonte de estresse", disse Maggie Gallant, 28, fundadora da Spotlight Communications, em Manhattan, que costumava ir a um spa para massagens e para fazer os pés e as mãos, em intervalos de poucas semanas. "Da última vez que tentei fazer uma reserva, me deixaram em espera ao telefone por 15 minutos, e aí informaram que estavam sem horário nas duas semanas seguintes. Também já fui forçada a sair apressadamente de minha sala de tratamento, cobrada por itens com os quais não havia concordado e penalizada financeiramente por cancelar perto demais da hora reservada. Nunca enfrentei problemas desse tipo com os serviços móveis de spa".

A conveniência é muitas vezes o fator decisivo, para os clientes que optam por spa em casa. "Minha equipe atende clientes a até 100 quilômetros de distância", diz Mindy Davis, proprietária da Peels on Wheels, em Los Angeles. "A depender do tratamento, se a pessoa for realizar limpeza de pele, depilação ou massagem, nós cuidamos dos lençóis, cobertores, roupões, chinelos, revistas, música, velas perfumadas e óleos de aromaterapia".

Os tratamentos por serviços móveis de spa em geral custam mais caro do que uma visita a um spa, mas não tanto quanto alguns potenciais clientes poderiam temer. Nos 344 spas de Manhattan, o preço médio de uma massagem de 60 minutos é de US$ 105, apenas US$ 30 a menos do que o preço médio de um serviço em domicílio, de acordo com o SpaFinder, um serviço que compila informações sobre o setor. Se incluídos os custos de transporte e o tempo necessário ao deslocamento, fazer um spa em casa pode oferecer bom custo/benefício.

Acomodar as necessidades dos clientes dessa maneira não é novidade para os profissionais do setor. "O que estamos vendo é uma nova extensão dos serviços de spa personalizados", disse Mary Bemis, editora da Organic Spa Magazine. Hoje em dia, muitos clientes preferem a conveniência de um banho em casa ao prazer de uma sauna em um spa. E há algo de maravilhosamente atraente em relaxar em casa depois de um tratamento de reflexologia.

Os serviços de spa em domicílio ainda são novidade, e por isso não existem estatísticas setoriais, mas o mercado está em alta. Em apenas um ano, Davis, da Peels on Wheels, registrou 70% de alta em seus negócios, diz, e contratou oito funcionários, para atender a 25 ou 30 clientes domiciliares por dia.

Nos últimos cinco meses, a clientela da Refresh Body dobrou, para 600 pessoas, de acordo com o presidente do grupo, Marc Brycman, que no verão transferiu suas operações para a área dos Hamptons, o local de férias de 80% de seus clientes. Não que o tratamento em domicílio permita completo relaxamente. Em um spa de luxo, não se ouve crianças gritando.

Kris Fuchs, 44, costumava gostar muito de suas sessões de spa no Mandarin ou no Tracy Martin, e por isso agora recebe uma massagista para sessões em seu apartamento de quatro quartos no Upper West Side a cada segunda-feira. Fuchs, mãe de duas adolescentes, admite que não consegue mais passar duas horas em completo relaxamento. Ainda que o apartamento seja bastante espaçoso, suas filhas ainda encontram maneiras de interromper as massagens.

"Elas chegam para me mostrar deveres escolares quando estou estirada na mesa de massagem", diz Fuchs, proprietária da Suite New York, uma loja de móveis de luxo. "Ocasionalmente ficam fazendo piadas, e massageiam meus pés por brincadeira. No spa, não sou mãe ou executiva, mas mulher. E não se pode conseguir essa sensação em casa, com as crianças por perto".

Bemis duvida de que os serviços de spa móveis consigam criar ambientes como os propiciados pelos sofisticados spas atuais, com seus recursos de hidroterapia e salas de espera suntuosas. "A experiência de um spa não pode ser recriada de todo, especialmente em termos de uma sauna ou banheira de hidromassagem", ela afirma. Mas nem todo mundo concorda. "Os freqüentadores veteranos de spa se interessam mais pelo tratamento do que pelos mimos", diz Susie Ellis, presidente da SpaFinder.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

The New York Times