Sábado, 23 de maio de 2009, 16h59 Maquiadora de grifes conceituadas lança 1ª linha da Dolce & Gabbana |
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Pat McGrath é obcecada pela juventude - o tipo que ela espera, um dia, estar disponível em uma garrafa. "Só me dê uma pílula - e não corte", disse ela semana passada, com uma voz grave e retumbante. Sem comprimido, ela se contentou com a maquiagem que a faz parecer uma adolescente.
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Ela estava brincando, claro, mas graças a suas habilidades com um pincel de lábios e uma esponja cosmética, até suas piadas são ouvidas com atenção. Estilistas e executivos da área de cosméticos escutam, assim como todas as mulheres que a conhecem como presença freqüente em publicações de moda e nos bastidores de desfiles.
"Sempre que vejo uma foto de que gosto em uma revista, Pat McGrath acaba estando envolvida", disse Deborah Abroal, planejadora de eventos e uma das 200 mulheres que correram para a loja Saks Fifth Avenue no dia 16 de maio para uma consulta com a mestra de texturas e cores, que estava lá para apresentar a primeira linha de maquiagem Dolce & Gabbana. Abroal estava animada com a possibilidade "de ter o tipo de glamour das passarelas de Pat aplicado em minha pequena vida local".
McGrath, de 38 anos, colaborou com os estilistas Domenico Dolce e Stefano Gabbana na coleção, fabricada pela Procter & Gamble, onde ela, conhecida por colar lantejoulas nas bocas de modelos, é diretora global de design. A linha tem cores com nomes como Dahlia (um batom) e Stromboly (um delineador), concebidos para evocar um híbrido entre a era dourada de Hollywood e o glamour Cinecitta.
A parceria não é a primeira tentativa de uma marca de luxo de aproveitar o poder de celebridade de um importante artista da maquiagem. "Houve um momento, há cinco ou seis anos, quando parecia que todo artista tinha que ter uma linha", lembrou Linda Wells, editora da revista Allure.
Ultimamente, a tendência ganhou novo fôlego. Artistas de maquiagem célebres parecem prontos para re-energizar uma indústria em crise recessiva. Na mente de muitos compradores, o artista é um especialista, disse Karen Grant, analista na NPD, uma empresa de pesquisa de mercado, "e esse endosso de um especialista se torna muito rentável para uma marca".
Em tempos de incerteza, as mulheres "querem mais do que uma imagem corporativa", disse Wells. "Elas querem uma conexão humana."
É uma conexão que a indústria está preparada para oferecer. Procter & Gamble, Shiseido e Estee Lauder são apenas alguns dos gigantes dos cosméticos prontos a explorar uma cultura de celebridade que confere fama não apenas a Gwyneths e Lindsays do mundo, mas às pessoas que colocam o brilho em seus olhos.
"Em uma retração relativa, você precisa de personalidades fortes e criativas, com pontos de vista relevantes", diz Markus Strobel, vice-presidente e gerente-geral de marcas de prestígio na Procter & Gamble.
A tendência de marcas de maquiadores ganhou força no fim dos anos 1980, com o lançamento da MAC, da qual o artista canadense Frank Toskan foi um dos fundadores. O ápice ocorreu no começo dos anos 2000, puxado por marcas como Bobbi Brown, Laura Mercier, Francois Nars e Smashbox Beauty.
Outros artistas trabalham nos bastidores, inclusive Dick Paige, diretor artístico da Shiseido; Sandy Lintner, que desempenha basicamente o mesmo papel na Lâncome; e Linda Cantello, que supervisiona o desenvolvimento de produtos e cores na Giorgio Armani.
Entre os aficionados por maquiagem, um maquiador pode obscurecer a potência de celebridade de um estilista. Yana Lusher, recepcionista de uma rede de alimentos especiais em Nova York, estava na Saks no dia 16 de maio, deslizando Dolce & Gabbana Schocking and Gold em seus lábios. "Eu não tinha planos específicos de vir aqui e ver essa linha", disse Lusher "mas quando eu soube que Pat McGrath estaria aqui, tornou-se um evento imperdível."
A fama da artista fez Dolce e Gabbana convidarem McGrath, com quem trabalham há anos, para interpretar suas idéias. "Ela é uma lenda", disse Gabbana. "Ela entende imediatamente o que queremos. Se falamos sobre vermelho, ela sabe exatamente de que tipo de vermelho estamos falando."
Dahlia, o vermelho da linha, que foi lançada na Europa em abril, é uma cor ousada que pode intimidar as consumidoras. "As mulheres têm medo de vermelhos ousados", afirmou McGrath, "então trabalhamos no desenvolvimento de um vermelho que tem hidratação extra, para ser mais fácil de usar."
McGrath, dizem seus defensores, é uma raridade: uma artista com senso comercial. Ed Burstell, ex-vice-presidente de cosméticos da Bergdorf Goodman e diretor de compras para a Liberty of London, disse que McGrath é conhecida por correr para os caixas depois de suas aparições, monitorando as vendas. "Você não consegue essa combinação de alguém que faz 30 apresentações por temporada e ao mesmo tempo entende como vender dentro de uma loja", disse ele.
McGrath, que ajudou a desenvolver as marcas Max Factor e CoverGirl, da Procter & Gamble, reconhece que gostaria um dia de comercializar uma linha com seu nome. Por que não?, perguntou Burstell. "Ela tem um nome reconhecido, que ressoa em todo o mundo."
E reservas infinitas de paciência. McGrath foi tranqüilizadora ao responder as perguntas de clientes na Saks. "As pessoas sempre me perguntam", disse ela, "Como posso destacar o azul dos meus olhos? Que cor é mais próxima ao meu tom favorito de rosa que saiu de linha?". "É um pouco como ser uma psicóloga", disse, "mas, às vezes, você sabe que vai ser preciso mais do que um batom."