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Presenciar um treino de kettlebell pela primeira vez pode impressionar. Afinal, a modalidade remonta à Rússia do século 18, com homens arremessando pesos para cima a fim de eleger "o mais forte". Adaptada aos padrões contemporâneos, a prática é mais conhecida nos Estados Unidos e agora começa a chegar às academias brasileiras.
Da base da modalidade surgiu o seu nome: kettlebell é uma bola de ferro fundido com uma alça, que propicia a realização de exercícios para grandes grupamentos musculares aumentando a força muscular, potência e alto consumo de energia.
Segundo Reginaldo Ghilardi, coordenador de musculação da Competition, de São Paulo, academia que oferece a modalidade, o exercício é muito utilizado entre os praticantes do chamado treinamento funcional. "Significa realizar exercícios que se aproximem da situação real, que tenham uma função para melhorar determinada performance", diz. Isso se aplica a esportes ou para quem tem dificuldades de movimentos. "Se uma pessoa tem dificuldade para se sentar, pode realizar exercícios de agachamento. Isso é um treinamento funcional."
O peso do kettlebell varia entre 8 kg e 24 kg e, como em qualquer outra atividade física, o que será usado no treinamento é diretamente proporcional à aptidão e ao condicionamento físico do aluno. "Todos começam com o peso mínimo, pois é preciso aprender os exercícios antes de aumentar a carga", diz o coordenador. É importante também a orientação de profissionais qualificados para manter a postura correta e evitar eventuais contusões com os exercícios.
No primeiro momento, a impressão que se tem é que somente os braços são mais solicitados nos exercícios. Mas o coordenador explica que, para fazer os movimentos com os membros superiores a fim de levantar as bolas de ferro, utiliza-se vários grupamentos de músculos ao mesmo tempo, por isso é um treino global.
"Poucas atividades desenvolvem tanto a força muscular em sessões de apenas 20 minutos", diz Ghilardi. Assim, o kettlebell é usado de forma complementar nos treinos de musculação, de duas a três vezes por semana. Seus principais benefícios são fortalecimento da musculatura profunda do corpo; alto gasto calórico (consome até 700 calorias em 30 minutos, o mesmo que em treinamentos de corrida intensa ou natação avançada para competição); desenvolvimento da força geral; e desenvolvimento da flexibilidade.
Segundo Ghilardi, esses benefícios começam a aparecer em geral de duas a três semanas após o início dos treinos, com frequência de duas a três vezes por semana. E pode ser praticado por homens e mulheres, desde que não haja histórico de lesões ou limitações de movimentos.