O modelo Nathan Johnson, 31 anos, conta que lutou contra a obesidade na infância e na adolescência sofreu com a ginecomastia
Foto: The New York Times
Em uma tarde recente, a Dra. Michelle Copeland, cirurgiã plástica cujo consultório fica diante do museu Metropolitan, em Nova York, estava clicando com seu mouse sobre imagens de torsos de homens jovens. Ao contrário das antigas estátuas gregas retratando Heracles ou dos arremessadores de discos esculpidos em bronze exibidos nas galerias do outro lado da rua, os jovens cujas imagens estavam sendo exibidas no computador eram um pouco diferentes. Em lugar de exibirem peitos largos e bem definidos como os dos atletas gregos, suas regiões peitorais assumiam formato mais arredondado, feminino.
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Eram pacientes que sofriam de crescimento mamário masculino, uma condição tecnicamente conhecida como ginecomastia. Embora não se trate de uma nova doença, mais homens estão procurando tratamento para ela, e as mais recentes estatísticas da Sociedade Norte-Americana de Cirurgiões Plásticos demonstram que a maioria dos pacientes são adolescentes.
Em 2006, de acordo com o grupo, cerca de 14 mil meninos com idades de entre 13 e 19 anos foram submetidos a cirurgia para reduzir o tamanho de suas mamas. Isso representa 70% do total de pacientes homens que passaram por esse tipo de cirurgia no ano passado, e uma alta de 21% com relação ao ano anterior, no caso da faixa etária mencionada.
Em uma cultura que cada vez mais encoraja que os homens se preocupem com seus corpos desde a mais tenra idade, a demanda por torsos esculturais e músculos peitorais definidos está em alta, a ponto de fazer com que o número de rapazes de 13 a 19 anos que passaram por cirurgias de redução de mama no ano passado equivalesse ao total de homens que enfrentaram esse tipo de procedimento apenas dois anos antes, em 2004.
A maior razão para a alta é a epidemia de obesidade, de acordo com diversos cirurgiões plásticos entrevistados. Ao mesmo tempo, os pediatras e cirurgiões plásticos parecem mais dispostos, hoje, a tratar de mamas masculinos desproporcionais.
É freqüente que anomalias peitorais masculinas sejam simplesmente parte da adolescência, causadas mais comumente pelas flutuações hormonais que caracterizam o período, de acordo com o Instituto Nacional da Saúde. Mas em uma sociedade que valoriza músculos peitorais definidos e bíceps à maneira de Rafael Nadal, os adolescentes estão dispostos a recorrer a cirurgias para resolver os problemas que seus corpos mais tarde talvez pudessem superar naturalmente.
David Zinczenko, editor chefe da revista Men's Health, diz que muitos dos leitores de sua publicação estão preocupados com as dimensões de suas mamas.
"O triste é que o problema é bastante comum entre os adolescentes mais jovens, mas usualmente se resolve nos estágios finais do surto de testosterona que conclui a adolescência", ele escreveu em uma mensagem de e-mail. "Mas, se acrescentarmos alguma gordura e uma abordagem que favorece o uso da cirurgia para eliminar anomalias do corpo, teremos grande número de adolescentes passando pelo bisturi".
A Dra. Roxanne Guy, cirurgiã plástica em Melbourne, na Flórida, e presidente da Associação Americana de Cirurgiões Plásticos, disse que as estatísticas não revelam as nuances sobre os motivos da alta, mas está certa de uma coisa: "A obesidade entre os adolescentes com certeza é um fator enorme", afirma. "E a conscientização sobre as possibilidades da cirurgia plástica é muito maior do que no passado. Considero que os homens em geral, e especialmente os mais jovens, agora consideram aceitável passar por plásticas".
O problema é motivo de famosas piadas em filmes e seriados cômicos de TV. Em um episódio célebre de Seinfeld, Kramer inventou o "Bro", um sutiã para homens com problemas peitorais. No filme Ligeiramente Grávidos, o ator Seth Rogen é descrito pela atriz Leslie Mann como "aquele cara com seios masculinos".
No caso da maioria dos adolescentes que não sejam obesos, o problema tende a se resolver espontaneamente à medida que a puberdade avança e a produção de testosterona aumenta, diz a Dra. Brenda Kohn, professora associada de pediatria e especialista em endocrinologia pediátrica na Escola de Medicina da Universidade de Nova York.
Ela afirma, por isso, que "é muito importante não operar uma criança ainda na puberdade". Caso a cirurgia seja realizada cedo demais, afirma, os hormônios que causaram o desenvolvimento inicial da ginecomastia podem ainda estar ativos, e fazer com que o peito volte a crescer anormalmente depois da operação.
Embora o problema seja associado mais freqüentemente a flutuações hormonais ou obesidade, nos jovens, muitos cirurgiões também começam a associá-lo ao abuso de esteróides. "Eles reforçam os níveis de testosterona e, quando o uso é suspenso, há alterações no meio hormonal", diz a Dra. Guy. "O equilíbrio pode voltar sem ajuda, mas em muitos casos, se houve abuso de esteróides, é preciso tratamento endocrinológico para resolver o problema". Se isso não funciona, eles retornam a ela para cirurgia, diz a médica.
A faixa de preço de uma cirurgia como essa varia de US$ 4 mil a US$ 10 mil, de acordo com a complexidade do procedimento. A questão da despesa, e da aceitação da ginecomastia como problema médico passível de cobertura por planos de saúde, foi recentemente debatida quando um homem de Long Island processou a Group Health, solicitando que a operadora cobrisse as despesas com a cirurgia de redução mamária de seu filho. Em abril, a divisão de apelações do Supremo Tribunal do Estado de Nova York determinou que a empresa pague US$ 5 mil do custo de US$ 7,5 mil que a cirurgia envolveu. Mas a maioria dos pacientes custeia o procedimento sem ajuda.
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

- The New York Times



