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05 de dezembro de 2009 • 15h50

Use sua própria gordura recolocada nos seios

A gordura recolocada agora é considerada um método seguro para aumentar os seios
Foto: Getty Images
 

A forma mais recente de reciclagem nada tem a ver com garrafas de refrigerante. Envolve lipoaspiração nas coxas ou nádegas, por exemplo, e injeção dessa gordura removida nos seios, para aumentá-los. Depois de ser condenado no início dos anos 90, esse método cirúrgico volta a despertar o entusiasmo de alguns médicos dos Estados Unidos, e eles o estão oferecendo às pacientes que gostariam de aumentar os seios sem recorrer a implantes.

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Quase 20 anos atrás, a organização hoje conhecida como Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos lançou um alerta aos seus integrantes, proibindo a injeção de gordura lipoaspirada nos seios de pacientes, por medo de que isso resultasse em equívocos nas mamografias. Já que parte da gordura injetada morre e se calcifica, o raciocínio era o de que os radiologistas não seriam capazes de distinguir entre aquelas calcificações e formações suspeitas que poderiam indicar câncer de mama.

Uma segunda preocupação era o fato de que pouca gordura sobrevivia ao transplante, porque as técnicas de retirada, refino e colocação de gordura não eram avançadas o bastante. Mesmo hoje, o sucesso dos enxertos mamários de gordura depende muito da capacidade do médico.

No entanto, a associação de cirurgiões plásticos este ano reverteu sua recomendação anterior. Um relatório de um grupo de trabalho revisou as limitadas pesquisas disponíveis sobre o enxerto mamário de gordura e concluiu que "esse pode ser considerado como um método seguro de aumento".

Quanto à questão das mamografias, o relatório afirma que enxertos de gordura "têm o potencial de interferir com a detecção do câncer de mama; mas não existem indícios que sugiram fortemente esse tipo de interferência". Assim, a associação transformou o sinal vermelho em sinal amarelo, sinalizando aos cirurgiões plásticos que o método pode ser usado, mas com cautela.

E é isso que alguns deles vêm fazendo. "A melhor maneira de criar um seio normal é usar os tecidos do corpo", disse o Dr. Sydney Coleman, um cirurgião plástico de Manhattan que defende os enxertos de gordura - a tal ponto que nem mesmo oferece outras formas de implante para os seios.

Sarah, 34, uma mulher miudinha de Miami que pediu que seu sobrenome não fosse revelado, estava estudando realizar uma operação de implante, mas disse que não queria que seus seios parecessem "duros, ou falsos, ou muito artificiais". Por isso, recorreu ao Dr. Roger Khouri, especialista em cirurgia plástica e reconstrutiva do Miami Breast Center, que removeu gordura de suas coxas e nádegas para ampliar seu busto.

"Gosto da ideia de que isso venha de mim, seja minha própria gordura", ela diz. "Não tive de colocar nada externo em meu corpo".

Na reunião da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, em outubro, Khouri apresentou um estudo de longo prazo que sugeria que a gordura extraída por lipoaspiração era agora "uma alternativa viável aos implantes de mama". O estudo acompanhou 50 mulheres, com idades dos 17 aos 63 anos, por uma média de 3,5 anos. (As participantes tiveram de usar todas as noites, durante semanas, uma armação semelhante a um sutiã, criada por Khouri como arcabouço para o posicionamento da gordura.) O estudo, que o médico planeja publicar em uma revista científica, constatou que o procedimento não impede a leitura de mamografias e que em média 85% da gordura transplantada sobrevive e dá às pacientes seios maiores e de aparência natural.

Essa forma de cirurgia de aumento dos seios serve a dois objetivos: remove gordura de áreas em que as pacientes não a desejam e a coloca onde seu efeito é desejado. Outra vantagem é que o método as livra de preocupações quanto a um rompimento ou endurecimento do implante.

Mas existem desvantagens que não devem ser desconsideradas. O método é em geral mais dispendioso que um implante, e é preciso um ano para determinar que proporção da gordura transplantada sobreviveu. Além disso, o tamanho dos seios pode se alterar de acordo com o peso da paciente. O Dr. Scott Spear, diretor do departamento de cirurgia plástico do Hospital da Universidade de Georgetown, usou o método para aumentar os seios de uma paciente, mas ela mesma terminou por desfazer seu trabalho ao perder muito peso em uma dieta. "Elas decidem que querem correr uma maratona e seus seios se vão", ele disse.

Mas um cenário muito pior é a técnica do cirurgião envolvido ser deficiente a ponto de causar a morte de boa parte da gordura transplantada, o que pode gerar complicações. "Qualquer um pode aspirar gordura e injetá-la nos seios, e a aparência da paciente será boa logo depois da cirurgia", disse Khouri. Mas meses mais tarde, a gordura injetada por um cirurgião com habilitação precária pode resultar em "cistos oleosos, massas, nódulos e cicatrizes".

Para alguns, essa forma de reciclagem de gordura parece simples. Mas o Dr. Michael McGuire, presidente da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, acautela que "a maneira pela qual o médico remove a gordura, a processa e a injeta se tornam fatores para o sucesso na sobrevivência da gordura".

Em alguns casos, os radiologistas são capazes de distinguir entre calcificações inócuas e suspeitas, diz o Dr. Sameer Patel, cirurgião plástico e reconstrutivo do Centro Fox Chase do Câncer, em Filadélfia. Mas quando isso não é possível, biópsias podem ser realizadas. E assim ele teme que as injeções de gordura para aumento de seios possam resultar em maior número de biópsias desnecessárias.

No mês passado, recomendações oficiais de um grupo de trabalho das autoridades de saúde norte-americanas alteraram as normas quanto a mamografias, determinando que a maioria das mulheres deveria começar a realizar esse tipo de exame a partir dos 50 anos, e não mais dos 40, em um esforço para reduzir o número de exames, entre os quais biópsias, causados por falsos retornos positivos.

Mas uma mulher que esteja estudando uma cirurgia de aumento (ou redução) de seios deve passar obrigatoriamente por uma mamografia de referência, segundo a Dra. Emily Conant, professora de radiologia e chefe do departamento de imagens mamárias do Centro Médico da Universidade da Pensilvânia.

Nos últimos anos, injeções de gordura vêm sendo usadas para corrigir irregularidades deixadas por cirurgias de reconstrução de seios posteriores a uma mastectomia ou lumpectomia. Porque o volume de gordura utilizado nessas intervenções é muito menor, alguns cirurgiões plásticos se sentem confortáveis com o uso do método para, por exemplo, corrigir uma irregularidade na área do decote.

Mas o Dr. Stephen Sener, professor de cirurgia na Escola Keck de Medicina, Universidade do Sul da Califórnia, afirma em mensagem de e-mail que "já observei número suficiente de injeções de gordura pós-mastectomia para dizer que a necrose da gordura é um problema real". Ela pode resultar em uma "massa palpável", que necessitaria de biópsia para estabelecer a possível presença de infecção ou tumor maligno, escreveu Sener, que foi presidente da Sociedade Americana do Câncer.

The New York Times